quinta-feira, 14 de julho de 2016

ONDE HOUVER INGLESES, ALI ESTARÁ A COROA BRITÂNICA

             

A construção colonial do império inglês deu-se de forma diferenciada se comparada a outras nações colonizadoras europeias, principalmente no que tange às questões de governança e política. As mesmas instituições que existiam na metrópole também existiam na colônia, ou pelo menos suas representações, a liberdade é garantida, sejam ingleses da Inglaterra ou ingleses colonos americanos e irlandeses.
            Nas colônias inglesas a assembleia de representantes do povo assegurava a liberdade entre os colonos britânicos. As instituições parlamentares foram transferidas da Inglaterra para a Irlanda e América, aonde quer que os colonos ingleses estivessem, as instituições políticas e legais metropolitanas os acompanhavam. Ao que parece, fazia parte da própria lógica da colonização britânica unir os ingleses de todo o mundo através de suas instituições jurídicas reproduzidas longe da terra mãe. Mesmo em terras não administradas pelos órgãos ingleses, a administração britânica serviu de modelo e treinamento a fim de dirigir grandes contingentes de população nativa.
            Contrariando o que Adam Smith tenta enunciar com que foi exposto até então, Edmund Burke (1757), afirma que não há como defender que a colonização britânica tenha sido graças à atividade de planejamentos, pelo contrário, teria sido respostas do acaso, de acidentes da natureza e do clima e da iniciativa isolada de certos indivíduos.
O fato é que nenhuma nação moderna tinha os aparatos suficientes à época da construção dos impérios coloniais a não ser a gana de explorar e enriquecer. A partir dessa incapacidade, companhias de comércios surgiram terceirizando a atividade colonizadora em nome da coroa, arcando com os gastos para a fundação, defesa e ocupação em troca de vantagens e prestígio social. As autorizações ou licenças dadas aos colonos pelos monarcas representavam a extensão dos poderes reais aos exploradores. Enquanto o poder do Estado era bem tênue e não exercia o controle de fato em suas colônias, suas instituições cobriam ou tentavam cobrir essa falta, transferindo para terceiros os valores gastos para tal empreendimento, visando custar o mínimo possível para o Tesouro Real.
O que deveria ser de exclusividade dos integrantes das companhias de comércio
precisou ser dividido com outros interessados devido o alto cisto da colonização e o baixo retorno econômico imediato. Com exceção do México e Peru onde a atividade de espoliação de reinos nativos consolidados, nas demais regiões americanas as riquezas foram exploradas a partir de seus estágios iniciais, encarecendo ainda mais a atividade colonizadora.
Os novos participantes dos esforços colonizadores precisavam ser reconhecidos legalmente como tais, para isso as instituições jurídicas foram importadas das metrópoles para as colônias, como resposta à uma necessidade por jurisdição e não por uma atividade planejada por parte de algum idealizador da colonização – o Estado ou as Companhias de comércio.

Com tanta gente participando dos interesses colonizadores, o mundo nativo moldou-se ao mundo europeu – cidades, vilas, aldeias, povoados, freguesias foram fundadas -, um sistema administrativo foi implementado de modo viável à organização econômica. Terras foram tomadas, nativos expulsos ou escravizados, áreas de socialização erguidas, cenários nativos europeizados, enfim, um grande esforço foi feito para fundar no Novo Mundo pedaços da Europa. 
Podemos apontar um importante contraste social entre colônia e metrópole, segundo o qual um número bem reduzido de homens conseguia sua independência financeira e
social nas terras europeias. Já na colônia, colonos adultos e brancos, grande número deles, chegavam a adquirir terras ou outros bens, construir propriedades e alcançar a independência econômica e subir na hierarquia social colonial. Essa possibilidade real de mobilização social gerou ações de pressão contra a administração colonial com o objetivo de ser reconhecido a propriedade e o status social daqueles enriquecidos, novos proprietários de recursos e poder econômico, como se reconhecia a elite metropolitana por onde passasse.
A grande pretensão era organizar uma estrutura governamental na colonial que garantisse e respeitasse os interesses dessa elite colonial, garantido que fossem constantemente consultados nas tomadas de decisão na colônia. Com isso novas fronteiras coloniais foram estabelecidas novos centros jurídicos relativamente autônomos foram fundados a fim de concretizar no Novo Mundo a máquina burocrática que funcionava no Velho Mundo, sendo aqui apoderada pela elite local.

Texto adaptado do artigo de JACK P. GREENE intitulado de "TRADIÇÕES DE GOVERNANÇAS NA CONSTRUÇÃO DA JURISDIÇÃO DO ESTADO NOS IMPÉRIOS EUROPEUS DA ÉPOCA MODERNA NA AMÉRICA"

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