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| Vapor trazendo judeus para o Brasil |
Como um típico governo totalitário e nacionalista da década de 1930, o Estado Novo se alinhou com o nazi-fascismo em vários aspectos como vimos em algumas postagens anteriores (cf. "Estado Novo e a educação fascista" e "Pernambuco, Estado Novo e Igreja Católica"), no entanto o antissemitismo foi uma das grandes contribuições negativas do hitlerismo importado para o Brasil por Getúlio Vargas e para Pernambuco por Agamenon Magalhães. Nossa reflexão baseia-se no quarto e último capítulo da obra de Maria das Graças Andrade Ataíde de Almeida intitulada de "A construção da verdade autoritária".
Agamenon Magalhães tinha a sua disposição o Fôlha da Manhã para a tarefa de manter os pernambucanos atualizados do que se fazia no Rio de Janeiro e outras partes do Brasil pelo Governo Federal, na Itália por Mussolini e na Alemanha por Hitler. Para termos uma ideia do grande papel doutrinador que tinha o jornal, o interventor ampliou as tiragens abrindo uma nova edição a tarde em formato reduzido e mais barato para que aqueles menos remunerados também pudesse tornar-se leitor do periódico. O Fôlha da Manhã contava com duas edições, a matutina mais completa com 16 páginas custando 200 réis e outra vespertina com oito páginas custando 100 réis. Com isso a população poderiam ser melhor atendida pelas notícias estadonovistas.
Além do Fôlha da Manhã, Agamenon Magalhães tinha a sua disposição os jornais católico A Tribuna e A Gazeta, além da Revista Maria ampliavam ainda mais seu alcance doutrinário. Os Editores-Chefes desses jornais eram jornalistas católicos e fiéis ao governo de Vargas e do interventor
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| José Campello |
e não mediam esforços para fazer propaganda de ambos os governos além de publicar matérias contra as ideias exóticas e perigosos para as "pessoas direitas e obedientes ao Estado e a Igreja". O Fôlha da Manhã contava com um editor-chefe entusiasta e defensor ferrenho das ideias nazi-fascistas e católicas, chamado José Campello. O Fôlha da Manhã endurecia o tom contra comunistas, integralistas e principalmente contra os judeus que chegavam aos montes ao Brasil, inclusive ao Recife.
O Fôlha da Manhã fazia propaganda aberta as ideias antissemitas de Adolf Hitler, inclusive fazendo citações de sua obra Mein Kampf enaltecendo as ações duras do líder alemão contra esses "sem nação", "agiotas", "ladrões", "apátridas", "sórdidos", "inescrupulosos", "usurários", "micróbios da humanidade" e "escória da Europa". Não eram poucos os adjetivos depreciativos usados nas matérias do jornal em ambas as edições. Na tentativa constante de agredir a comunidade judaica que crescia no Recife e no Rio de Janeiro devido a perseguição na Alemanha levando-os a fuga, José Campello e os editores posteriores não polparam palavras para "exortar" a população pernambucana do perigo da presença desses judeus no estado e no país. Várias matérias foram escritas com teor racista e xenofóbica abordando uma suposta comunidade secreta judaica presente em todos os países do Ocidente com o objetivo futuro de dominar o mundo, para isso se instalaram nas nações ocidentais financiando os negócios e o comércio nacional, produzindo obras literárias e acadêmicas nas diversas línguas dos tais países onde esses se intrometeram, sem falar da questão religiosa da não aceitação do messianismo de Jesus Cristo, o filho de Deus. O crescimento desses hereges era não só um perigo para o fortalecimento da nação, mas também para a verdadeira fé de Deus, a fé em Cristo.
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| Sinagoga no Bairro da Boa Vista, em Recife. |
As matérias chegavam a incentivar os pernambucanos a irem ao Porto do Recife e impedir que os judeus aportassem na cidade como o Fôlha da Manhã noticiava que acontecia já na Argentina e no Uruguai, por exemplo. O jornal levava a população a odiarem os judeus utilizando-se de todos os tipos de argumentos possíveis, sempre reportando a necessidade de apoiar o líder nacional que mantinha forte e unido todo o país. Essa questão foi chamado no jornal como "o problema dos judeus" que estava tornando Recife numa grande sinagoga e era necessário o combate desses energicamente.
A grande rezão eleita pelos governos totalitários europeus inclinados com o nazi-fascismo contra os judeus foi o tal grande complô judaico de controlar o mundo em um futuro próximo. Para concretizar seu planos diabólicos, os judeus se apoderavam das economias nacionais, meios de imprensa, especulavam preços, manipulavam informações e faziam-se de vítimas para assim esconder suas reais intensões. No entanto, graças a heróis fortes e nacionalistas esse plano de governo mundial por Israel estariam com seus dias contados, pois esses homens libertaria o mundo dessa trama cruel arquitetada pelos judeus. A repressão empenhada por Hitler na Alemanha era um exemplo para as outras nações de libertação nacional dessa "raça maldita". Nessa mesma linha de pensamento o jornal Fôlha da Manhã exaltava o governo forte de Getúlio Vargas no Brasil e a de Agamenon Magalhães em Pernambuco, com seus projetos de proteção e desenvolvimento nacional. O Brasil, assim como a Alemanha estava a salvo dessa "escória da Europa" que fugia para cá em busca de novos escravos para comandar. A Igreja Católica também entrou nessa disputa contra os judeus, a fim de impedir o crescimento de qualquer credo religioso no país que rivalizasse com a "verdadeira fé". Os judeus eram combatidos nos jornais e revistas ligados à Igreja apontado os semitas como os responsáveis pela condenação do Filho de Deus e, por isso mesmo, não deveria ser tolerados em Pernambuco.
Os jornais, seja o Fôlha da Manhã ou os periódicos católicos exaltavam a cultura portuguesa e todas as influências dessas na cultura brasileira, como matriz a ser seguida e de sentir orgulho de serem nossos antepassados ilustres. A missão cultural do governo varguista e de Agamenon Magalhães era valorizar a cultura europeia em detrimento da indíge1938 cujo melhores jogadores era negros. Uma explicação foi exaustivamente propagada nos jornais do Brasil controlado pelo governo e pela Igreja, que no Brasil não havia algum preconceito contra os negros e que o sucesso da seleção brasileira se dava pela presença maior dos jogadores brancos e de alguns negros. O projeto étnico do governo de Vargas era incentivar a reprodução das famílias brancas que no máximo tinham quatro filhos, enquanto as famílias de negros chegavam a ter oito filhos. Precisava-se fazer com que os números se invertessem para que nos anos seguintes a população brasileira já se demonstrasse ao embraquecimento e que a presença de negros no Brasil fosse gradualmente retraída até torná-los uma mera minoria diante da população branca como característica mais própria dos brasileiros.
na e da africana. Foi uma crise na ideologia étnica do governo de Vargas quando a seleção brasileira de futebol encantava o mundo na Copa de
Os jornais, seja o Fôlha da Manhã ou os periódicos católicos exaltavam a cultura portuguesa e todas as influências dessas na cultura brasileira, como matriz a ser seguida e de sentir orgulho de serem nossos antepassados ilustres. A missão cultural do governo varguista e de Agamenon Magalhães era valorizar a cultura europeia em detrimento da indíge1938 cujo melhores jogadores era negros. Uma explicação foi exaustivamente propagada nos jornais do Brasil controlado pelo governo e pela Igreja, que no Brasil não havia algum preconceito contra os negros e que o sucesso da seleção brasileira se dava pela presença maior dos jogadores brancos e de alguns negros. O projeto étnico do governo de Vargas era incentivar a reprodução das famílias brancas que no máximo tinham quatro filhos, enquanto as famílias de negros chegavam a ter oito filhos. Precisava-se fazer com que os números se invertessem para que nos anos seguintes a população brasileira já se demonstrasse ao embraquecimento e que a presença de negros no Brasil fosse gradualmente retraída até torná-los uma mera minoria diante da população branca como característica mais própria dos brasileiros.
na e da africana. Foi uma crise na ideologia étnica do governo de Vargas quando a seleção brasileira de futebol encantava o mundo na Copa de




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