Segundo Gilberto Freyre, como se deu o encontro das três raças constituidoras do povo brasileiro?
O autor compara os espanhóis e portugueses com a fase adulta e madura de um indivíduo, exemplo de uma nação moderna e experiente, continuando a comparar com as fases da vida de uma pessoa, os povos ameríndios, sendo os Incas, Maias e Astecas a adolescência em estágio de evolução como povos civilizados e os demais povos gentis menores espalhados pelo Novo mundo, compararam-lhes com uma criança em sua primeira fase de dentição, sem resistência e uma cultura ainda verde. Dado por isso a incapacidade de defender-se a altura dos portugueses, os índios brasileiros não demostrarem nenhum perigo contra a ambição colonizadora dos lusos, dispensando ações de extermínios como na América Espanhola. (Cap. 2, pág. 158)
As mulheres indígenas se entregavam por qualquer bugiganga trazida pelos portugueses, os lusos por sua vez, diretamente se entregavam a mística mulher parda, nua e adoradora de banhos em rios, dado a também a quase inexistência de mulheres brancas na colônia, a cor parda das índias era a que mais se aproximava da brancura das mulheres lusas. Entretanto indiretamente estavam exercendo seu papel multiplicador de colonos para assim povoar a extensa faixa de litoral da América portuguesa. Era inteiramente comum as índias em sua juventude não fazer caso do abandono de seu companheiro branco ou a prática da poligamia por ele, pois a mesma não via problemas de a outro se entregar, ou em sua fase mas maduro de se dar em matrimonio a outro luso. (Cap. 2, pág. 166 – 168)
A própria Coroa Portuguesa a fim de solucionar o problema da falta de gente suficiente para contribuir com os interesses lusos de colonização nos trópicos, incentivou a mestiçagem entre os colonos portugueses e as mulheres indígenas. Fato de interesses políticos e sociais, já que nos primeiros anos da colonização brasileira, as batalhas travadas contra os povos indígenas foram um grande problema na possessão de terras, principalmente no litoral. Todavia as mulheres indígenas carregavam consigo o mesmo encanto místico das mulheres mouras que tanto encantaram os portugueses por muito tempo. Sua pele parda, cabelos soltos e olhos negros sempre arrebatavam o interesse luso pelas mulheres dos trópicos, causando ciúmes entre as mulheres brancas da metrópole. Como se ver num ditado da época “a branca para casar, mulata para f... e negra para trabalhar”. (Cap. 1, pág 70-72)
O negro africano arrancado de sua terra introduzido na vida social brasileira, sendo influenciado por ela e influenciando-a. Viriam para dar sustentação a atividade agroexportadora tanto do Norte quanto do Sul do Brasil. Em várias funções na vida social e econômica da colônia os escravos africanos foram introduzidos: amas-de-leite, companheiro-brinquedos, serviçais, capitães-do-mato, canavieiros, dentre outras atividades desenvolvidas pelos negros escravos na economia açucareira e de subsistência da colônia. Não podemos aqui deixar de citar as escravas que deleitavam seus senhores em prazeres sexuais “afrodisíaco” tanto comum na relação Senhor/escravo. E até de modo mais ameno, mas real, as relações carnais entre as senhoras-da-casa-grande e seus escravos. (Cap.4, págs. 367 – 369)
Fato que podemos destacar na mestiçagem entre índias e negros fugidos das senzalas que se aquilombavam dentro das matas, várias vezes vizinhos de tribos indígenas, está no costumeiro rapto das índias pelos negros quilombolas. Daí a grande presença de “cafuzos” nas chapadas sertanejas e nos seringais mais ao Norte. (Cap. 1, págs. 107 – 108)

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