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| Bandeira do Estado da Paraíba |
Com certeza o estado da Paraíba não fora fundado por uma das filhas do chefe dos potiguares, porém o caso que a envolveu gerou um conflito armado entre portugueses aliado à grupos indígenas inimigos dos potiguares que eram aliados dos franceses, sendo esses dominadores da bacia do rio Paraíba e seus afluentes, caso que deixou claro para a Coroa Ibérica, a incapacidade dos donatários da capitania de Itamaracá de defender as terras contra os franceses e desenvolver uma penetração para o interior onde viviam vários povos indígenas, assim como prosperava a capitania vizinha, a de Pernambuco.
Existiam nas capitanias do norte do Brasil no século XVI, principalmente na de Pernambuco e Itamaracá, mamelucos que viviam do trabalho de interlocutores entre colonos e indígenas no comércio e diplomacia na colônia. um desses mamelucos negociava com os potiguares no que hoje é o atual estado da Paraíba, mantendo negócios com o chefe indígena Iniguassu. Tendo ele se apaixonado pela filha do chefe dos potiguares, teve a autorização para se casar com a índia que tinha 15 anos se o mesmo resolvesse viver na aldeia com os demais índios. Aceitando, se "amigou" com a filha de Iniguassu, assim como relatou o Frei Vicente, porém traindo o acordo quando o chefe se ausentara com seus guerreiros, o mameluco roubou a a filha de Iniguassu e fuigiu para Olinda.
Esse fato colocaria mais "fogo na lenha" nos conflitos entre potiguares e colonos, porém a primeira atitude de Iniguassufora pacífica, enviando para Olinda dois de seus filhos a fim de trazê-la de volta amistosamente para a aldeia. O Corregedor Geral de Olinda, Antônio de Salema, não só ordenou a entrega da moça aos irmãos como forneceu um salvo conduto aos índios para que fossem bem recebidos e bem tratados na viagem de volta. Essa ordem foi respeiada até os irmãos da moça chegassem nas propriedades do arbitrário senhor-de-engenho Diogo Dias, que os recebeu bem, recolheu a índia, porém também interessada na filha do chefe indígena, a impediu de partir com seus irmãos, pois dispunha de muito poder e força armada desobedecendo a ordem da autoridade vinda da capital Olinda.
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| Índios potiguares |
Iniguassu em uma segunda tentativa de conciliação pode proidências ao capitão-mor de Itamaracá, no entanto o mesmo era amigo e temia a Diogo Dias, resolvendo não intrevir no caso. O chefe dos potiguares mobilizou um grande contingente de guerreiros e desceram à várzea do rio Goiana e cercou a fortaleza de Diogo Dias. Entretanto deixou o chefe indígena um número bem superior de guerreiros escondidos na mata. Tendo substimado ao ver o número de índios cerando sua casa, o senhor-de-engenho abriu os portões e saiu para derrotar seus inimigos com sua milícia. Após sair de sua fortaleza, os outros guerreiros indígenas que estavam na mata saíram ao encontro de Diogo Dias, que em menor número foi morto junto com todos que viviam em sua propriedade.
O filho de Diago Dias, Boaventura Dias, estava em Olinda na ocasião e sabendo do ocorrido retorna à Goiana e se associa com um rico comerciante chamado Miguel de Barros para reerguer o engenho de seu pai destruído pelos potiguares. Boaventur restaurou os canaviais, a fábrica de açúcar e reconstruiu a casa e as fortificações, intensificando a luta contra os indígenas. Mesmo com a proibição do contato entre colonos e indígenas depois do massacre nas terras de Diogo Dias, as batalhas cintinuaram, principalmente por ser Itamaracá uma capitania pobre e de difícil fiscalização pelo poder público de Olinda e da Vila de Nossa Senhora da Conceição, capital da Capitania de Itamaracá.
Novamente Iniguassu envia uma nova campanha militar contra as propriedades agora de Boaventura Dias. Mas uma vez os potiguares animados pelos franceses empreenderam um novo massacre matando à todos e destruindo toda a propriedade. Os dois ataques dos potiguares nas propriedades da Vila de Goiana preocupavam as autoridades em Olinda, que recebiam colonos da capitania vizinha fugidos dos ataques indígenas. Após duas campanhas mau sucessedidas partindo da Bahia uma em 1575 e outra em 1579, a ameaça contra a Capatania de Itamaracá e consequentemente contra a de Pernambuco, a terra mais próspera da colônia acorda as atenções da Coroa que de início concede a autorização de conquistar a área da bacia do Rio Paraíba e expulsarem potiguares e franceses desta rica área para a produção do açúcar ao rico comerciante de Olinda Frutuoso Barbosa em troca da concessão do direito de explorar livremente a área por um período de dez anos. O comerciante de Pernambuco enviou seus navios o Rio Paraíba onde destruiu 7 ou 8 navios franceses que abasteciam na área. Apesar da vitória em água, fora pela luta em terra que Frutuoso Barbosa sofre grande derrota e perde um de seus filhos nesta batalha contra os potiguares. A derrota contra os indígenas auxiliados pelos franceses e a morte de um de seus filhos desanima o rico comerciante de Olinda que reconhece sua inferioridade bélica e se retira de volta para Pernambuco.
Com mais uma vitória dos potiguares e franceses em áreas do atual estado da Paraíba, foi organizado uma grande frota de nove navios e quase mil homens para a batalha em terra pelo Governador Geral do Brasil, Manoel Teles Barreto, que também não teve uma expressiva vitória, pois os franco-potiguares contaram com um importante reforço vindo da capitania do Rio Grande, os piragibes.
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| Brasão da Capitania da Paraíba |
A vitória dos colonos obrigaram os franceses e potiguares a deixarem a área onde em 1585 fora criada a Capitania da Paraíba de concessão da Coroa, sendo esta desmembrada da capitania de itamaracá que junto com a de Pernambuco permaneceriam por concessões de donatários. Muitos senhores-de-engenhos e ricos comerciantes que participaram da conquista da paraíba receberam a posse de sesmarias na nova capitania com a resposabilidade de povoá-la e desenvolvê-la a fim de defendê-la e de gerar lucros para a concessora, a Metrópole.
Refêrencia Bibliográfica
ANDRADE, Manuel Correia, Itamaracá, uma Capitania Frustrada. Coleção Tempo Miniciapal vol. 20, cap.5 págs 65-70. Centro de Estudos de História e Cultura Municipal. Recife, 1999
Refêrencia Bibliográfica
ANDRADE, Manuel Correia, Itamaracá, uma Capitania Frustrada. Coleção Tempo Miniciapal vol. 20, cap.5 págs 65-70. Centro de Estudos de História e Cultura Municipal. Recife, 1999



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