quarta-feira, 2 de maio de 2012

CASA GRANDE & SENZALA (Parte 4)

      Gilberto Freyre revela na obra uma adesão incondicional ao projeto colonizador português para o Brasil.


Os povos indígenas com seu atraso tecnológico e vivendo na “idade da pedra polida” não representava nenhum perigo para o plano colonizador da Coroa Portuguesa para o Brasil. Mesmo em tempo de rebeldia indígena e de guerra contra os mesmos, não via os lusos a necessidade de extermínio dos gentis da terra como foi feita na América espanhola. Mesmo porque antes da introdução do trabalho escravo negro africano lavoura de cana-de-açúcar em São Vicente e em Pernambuco, era a domesticação do índio a possibilidade de aquisição de mão-de-obra escrava para engenhos.
Um dos fatores que impulsionaram as Bandeiras, particulares no início das campanhas financiavam as expedições de bandeirantes a se embrenhassem mata à dentro em busca de minerais e índios, para ser vendidos no litoral como escravos para principalmente a produção de açúcar. Tornando esse trabalho dificultoso, pois pereciam os gentis inóspitos para trabalhos pesados, a introdução dos escravos vindo da África na vida da colônia fora uma boa opção para superar o problema de mão-de-obra barata para os canaviais e engenhos.
Podemos citar  interesses dos padres Jesuítas de cristianização dos indígenas a formar uma colônia de novos cristãos – índios convertidos e catequizados – civilizados e trabalhando apenas nas plantações dos clérigos. Fato que não floresceu, mas que pôs combustível na competividade entre jesuítas e colonos pela posse do trabalho indígena.
A adesão de particulares e “amigos” do Rei em investir capital próprio na colônia portuguesa no Novo Mundo, sua defesa, colonização e exploração a cargo de cada donatário, propiciou os primeiros contatos colonizador nas terras brasileiras, além do processo cristianizador e civilizador dos povos nativos. Fato marcante nas capitanias de Pernambuco e São Vicente.
O clima tropical não inóspito para a adequação lusa na vida dos trópicos, graças ao clima da Metrópole que se confundia ora com o da Europa, ora com o da África moura. Sua fácil mobilidade e sua não ortodoxia em se entregar em prazeres sexuais com as mulheres nativas e assim aumentar a prole de colonos afim de povoar e defender a colônia, além de caracterizar a sociedade colonial, foram alguns dos traços colonizadores dos portugueses, diferentes dos fervorosos católicos espanhóis e dos puritanos ingleses.

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