Gilberto Freyre via o Brasil como uma sociedade original e multirracial nos trópicos, obra do gênio português.
É apontado “dois grandes focos de energia criadora” da sociedade brasileira nos dois primeiros séculos de colonização portuguesa, São Paulo e Pernambuco, de onde da primeira partira a iniciativa das bandeiras e a introdução da catequese, e da segunda partira a iniciativa guerreira nas guerras contra os franceses no Maranhão e contra os Holandeses em Pernambuco, sendo ambas aptas a formação e consolidação da agricultura tropical. Tanto em São Paulo quanto em Pernambuco, “a sociedade foi constituída com pequeno número de mulheres brancas e larga profunda mescla de sangue indígena”. (Cap. 1, pág. 73)
Utilizando de comparação entre o projeto colonizador português para a América e o projeto espanhol, desenvolveu-se principalmente ao norte do Brasil - Pernambuco e Bahia – uma sociedade aristocrata, baseada no latifúndio escravocrata, acastelados e vivendo “descentemente e confortavelmente” do que as turbulentas imigrações castelhanas para a exploração mineral na América Central e Ocidental, influenciando a formação da “pobre” sociedade de língua espanhola nessas áreas. (Cap. 1, págs. 78 – 79)
Não existiu outro lugar no Novo Mundo onde se houvesse uma sociedade mais baseada na aristocracia, escravatura e no patriarcalismo do que no Norte no Brasil. Nem a aristocrática Lima, no Peru, com suas quatrocentas carruagens indo e vindo, carregando marqueses e condes. No Brasil famílias lusas se tornaram donas de imensuráveis latifúndios e de pessoas como nunca houve em nenhuma colônia americana, fundou a maior civilização moderna nos trópicos. (Cap. 3, pág. 266 – 267)
Os degredados, náufragos, cristãos-novos, aventureiros, dentre outros são apontados como parte da formação da sociedade brasileira, portugueses que por um motivo ou por outro deixaram a metrópole e vieram se instalar no Brasil com esperanças de vida livre e enriquecimento como é o caso dos “soldados de fortunas”, dentre outros. Todos eles atendendo aos interesses políticos e sociais da Coroa, de mestiçagem e de povoamento, mesmo que os mesmo nunca atentassem para a sua função atribuída pelo Estado português no processo colonizador do Brasil, contribuindo para a geração de novos colonos, mesmo sendo esses de cor “não-branca”, mas que tinha sua funcionalidade na vida da sociedade colonial no Brasil . (Cap. 1, págs. 81 – 84)
A sociedade colonial no Brasil passa a girar em torno da família rural, de onde vem toda influência política, econômica e social, como entendemos de oligarquia. Foi a família rural, que deu as bases da colonização do Brasil, famílias de colonos portugueses vindo da Europa para fincar no solo brasileiro uma colônia agrícola, sustentada com o trabalho escravo viabilizado pelo tráfico negreiro, trazendo consigo sua técnicas, instrumentos e mão-de-obra especializada. Se bem que o que a Coroa esperava era uma colônia rica em minérios como o México e o Peru ou uma nova Índia onde pudessem comercializar especiarias valorizadas no comércio europeu. Pelas circunstâncias deu à particulares servo do Rei a incumbência de povoar, defender e desenvolver a colônia para usufruto da Coroa. (Cap. 1, págs. 80 -81 e 84 – 85)

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