terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Totalidade e Infinito

Emmanuel Levinas
                O homem em toda a sua história se apropriou de teorizações que traziam em seu bojo a necessidade de explicar tudo o que existe além do físico, além do empírico, além do palpável. As várias mitologias espalhadas pelos povos e a própria metafísica, conceitualmente falando, inaugurada por Platão exprimem esse desejo humano de tentar entender o que é transcendente.
                Em sua fase já moderna, em meados dos séculos XVII e XVIII, a ciência não se aterá àquilo que não fosse empiricamente comprovado. Será com a reflexão filosófica e através da razão que se anseia saber o não-saber de onde parte o saber filosófico.
                A concepção de infinito carrega consigo a reflexão ontológica da exterioridade da totalidade ou além da totalidade, como uma forma de preencher o vazio deixado por este numa busca de se tentar entender a transcendência para além da história. “O infinito não existe antes para se revelar depois[1].
                A escatologia messiânica não se compreende como o fim do ser como totalidade, no entanto relaciona-o com o infinito, num sentido baseado na experiência, não sendo esta de modo puramente negativa, acrescentando explicações sobre o futuro, mostrando a finalidade do ser. Aqui o que nos interessa é a relação entre o ser e o além da totalidade, e não do passado ou do presente. Porém a concepção da escatologia profética messiânica de futuro, que está para além da totalidade, para o infinito, é que o ser tem sua identidade antes do infinito, onde é na experiência na totalidade que o ser é escatologicamente julgado, não no sentindo do Juízo Final, mas na existência do ser no ser e não a partir da totalidade.
                A relação entre o Mesmo - a sociedade diferente do indivíduo, com toda a sua dinâmica e tensões através do inevitável conflito – e o Outro – um ser separado e fixado em sua identidade – para Levinas, nem sempre está no conhecimento do Outro pelo Mesmo, nem na relação do Outro ao Mesmo. O Outro se traduz de maneira mais clara através do termo de movimento transcendente, que este parte de um mundo que conhecemos para um além expresso na própria metafísica.
               
O Desejo Metafísico
               
                O desejo está expresso na tensão direcionada a algum fim pela pessoa que deseja como fruto de sua satisfação, sendo ela conscientemente ou não. Para Levinas o desejo metafísico se entende de duas maneiras: a primeira sendo o que é desejável uma coisa totalmente diversa, para o absolutamente outro, podendo satisfazê-los nas decepções da satisfação ou na indignação da não-satisfação e do desejo; o segundo, deseja o que está para além de todas as coisas, que poderá assim, completá-lo. A metafísica deseja o Outro para além das satisfações.
                Sendo assim, a positividade da satisfação do desejável está na distância e na separação entre quem deseja e o que é desejado. O desejo será ele próprio a possibilidade de se antecipar ao desejável, pois quem deseja se lança em direção ao desejável através da satisfação do desejo. Porém o Desejo se torna absoluto quando quem deseja é mortal e o que é desejável seja invisível.


[1] LEVINAS, Emmanuel. Totalidade e Infinito. 3ª edição. Coimbra: Biblioteca de filosofia contemporânea, 2008, pág. 13.

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