O Fascismo ele pode ser entendido logo de início como uma “espécie do gênero direita”. Em sua essência ideológica, a direita se empenha em conservar determinados privilégios, isto é, em conservar um sistema socioeconômico de garantia a propriedade de que tais forças venham a se beneficiar, tidas como conservadoras.
O Fascismo veio como um veículo de restruturação dos grupos de direitas, aterrorizadas com o crescimento dos movimentos populares e da própria esquerda, se apropriando da assimilação de conceitos marxistas. Porém não os conceitos que viessem coloca-los em choque com seus interesses ideológicos, porém muito mais por tentar se utilizar das próprias armas de seus inimigos.
É na Itália que Mussolini irá inaugurar essa assimilação marxista pelos grupos de direita. De ex-agitador socialista que em 1910 escreve a Lotta di Classe, se converter a burguesia incumbido de mostrar-lhe a sua teoria das lutas de classe.
Mussolini reinterpretara o conceito de luta de classes elaborado por Marx. Para ele Marx atentara apenas a luta de classe entre o proletário e o burguês, para Mussolini essa luta de classes jamais poderia ser superado por fazer parte das relações humanas e que deveria ocorrer era através de uma nova elite no poder – mais energética – disciplinar todas as classes. Ainda defenderia que a luta de classes seria entre os países proletários e os países industrializados, ideia bem vista pela burguesia no sentido de repartimento das colônias pertencentes as potências europeias. Era então a apresentação da Itália proletária contra os Países industrializados, essa era a revolução.
Outra reinterpretação marxista feita por Mussolini foi a concepção de ideologia. Ele transformou a unidade da teoria e da prática numa identidade de teoria e prática. Significou então a mecanização da teoria, morrem-se as “verdades” e nascem as pregações fascistas.
O Fascismo passou a ter como postulado um relativismo absoluto. Não se tinha ideologia “sagrada”, mas sim se beneficiara de seu super-relativismo. Sem admitir um dogma que regesse o movimento, Mussolini apoiando-se dos sentimentos nacionalistas espalhados por toda a Itália, criou um mito, que segundo ele não precisa ser real, só precisava ser um mito, a Nação. A Itália proletária humilhada pelos países industrializados foi bastante aceita pelos italianos, agora o fascismo e o povo tinham um norte, a Nação.
Nesse contexto “ideológico”, Mussolini acusava os socialistas de se utilizarem do proletariado da Itália para suas reinvindicações e enfraquecerem a Nação e não a defendendo dos inimigos que a Itália tinha no exterior. O Fascismo aglutinou a concepção de social e nacional num conceito apenas, a Nação era o social e o social era a Nação.
Dentre muitos motivos pelo qual o Fascismo atingia seu êxito em toda a Itália, foi por ser o primeiro movimento conservador que com sua ideologia radical, apropriou-se de modernos métodos de propaganda, sistematicamente, explorando as possibilidades que começavam a ser criadas por aquilo que viria a ser chamado de sociedade de massas de consumo dirigido.
Então, ao invés de imagens de líderes velhos, pálidos e debilitados, passou-se a veicular a imagem do Dulce cheio de vitalidade, sempre viajando de avião e frequentemente falando nos inúmeros comícios pelo país, além de ditar por telefone os artigos diários de seu jornal. Ainda foi o pioneiro a utilizar-se da rádio para se pronunciar à Nação, método que Hitler irá popularizar na Alemanha.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
KONDER, Leandro. Introdução ao Fascismo - 3ª edição. Rio de janeiro, Edições Graal, 1977.


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