domingo, 17 de abril de 2011

VIOLÊNCIA DA EDUCAÇÃO OU EDUCAÇÃO VIOLENTA?

A Violência  da  Educação  caracteriza-se,  segundo  a  autora, quando   o  adulto impõem conceitos  que  não  são  característicos  desta  fase.  A  violência  se  manifesta  a  partir  do  momento   em  que  o  adulto  não  permite  escolhas  a   criança,   tentando através  da  intimidação  um  encaixe  das   mesmas   numa  realidade que só faz sentido aos adultos, impedindo  assim  que   a   criança   desenvolva   talentos  e  conhecimentos esquemáticos com o avançar do seu crescimento.
Daí  partimos  para   a   definição   de   Violência   da   Educação   numa   cadeia recíproca  de  ações  de  um  outro  inferiorizando   um   “pequeno”   outro.   Um   aluno que  troca   insultos   com   o   professor,   como   a    autora   exemplifica,   “Na   escola particular,  dirão  coisas  do  tipo  ‘você  não  pode  nos  reprovar  porque estou pagando seu salário!’, e na escola publica  não  o  respeitarão  porque  seu  fusca  68  estacionado  no  pátio  da  escola  está  todo  amassado. ”   Estes   tipos   de   agressões   verbais   dos alunos  ínsita  então  uma  “contra-agressão”   da  parte  do  professor,  que  por  falta de autoridade se apropria do autoritarismo como reflexo, caracterizando agora a  Educação Violenta. Ainda mais grave quando se usa da violência bruta, literalmente,  mediante  as ações de alunos desprivilegiados depredadores do ambiente  escolar,  onde  descarregam sua  insatisfação  social  na  depredação  da  estrutura  e  materiais  da  escola  e  insultos aos  professores.  A  autora  aponta   uma    saída    para    esses    alunos   depredadores, apenas escutá-los,  “...o  jovem  depredador  pode  ser  escutado  em  sua  singularidade. Ali,  ele  não  é  apenas  um  reflexo  da  injustiça  social:  ele  tem uma resposta própria, no registro da agressividade que  não  passa  de  uma  tentativa  de  recuperar  pontos  de referencias identificatórios...”,  e  ainda  continua  a apontar que nesta ótica de violência, estamos  diante   de   um  sinal  de  degeneração  dos  tempos;  porém  pode-se  observar  o  antagonismo  desta  proposição,  a  busca  desesperada  de  restituição,  de  reencontro como uma ordem aponta para um sinal de luta contra a degeneração dos tempos, mesmo que praticamente isso desecandei um caos ainda maior.
            A  violência  na  escola  se  relaciona  com   as   condições   sociais   que   geram essa violência. Porém antes de tudo, os  autores  nos  chamam  para uma reflexão no que se seria violência e ato violento. Segundo afirmam eles: “ o ato é  violento  quando  uma pessoa  é  tratada como coisa, quando é violado seu status de pessoa humana,  portadora de  dignidade  e  liberdade.”  Nisso  estão  incluídos  a   prostituição   infanto-juvenil,   o trabalho de crianças,  assassinato de criança e jovens e na área educacional, é a exclusão dos mesmos a educação básica, pois os dados dos censo tem sido desanimadores. 
            O  pior!  Isso se torna normal, corriqueiro, banal. As pessoas não se sensibilizam com esta realidade, só os afetam quando passa para a brutalidade. O que percebemos em nosso país  é  o  desigualdade  social  escancarada,  reforçada  pela  escola,   alunos   são condenados a não aprenderem  por  instituição  da   sociedade,  negando-os  brutalmente  o  direito  de  serem  feitos  seres  humanos,  baseado em sua humilde posição social. Os autores finalizam este diálogo  com  uma  perfeita  afirmação:  “ A  principal  conclusão  a  tirar  destas  reflexões  contra  a  Violência  na  Educação  é  que  a  luta  contra ela só pode ter êxito se for parte de um projeto político explicito, radicalmente comprometido com a humanização.”

(Baseado em MARIA CRISTINA KUPPER)

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