A Violência da Educação caracteriza-se, segundo a autora, quando o adulto impõem conceitos que não são característicos desta fase. A violência se manifesta a partir do momento em que o adulto não permite escolhas a criança, tentando através da intimidação um encaixe das mesmas numa realidade que só faz sentido aos adultos, impedindo assim que a criança desenvolva talentos e conhecimentos esquemáticos com o avançar do seu crescimento.
Daí partimos para a definição de Violência da Educação numa cadeia recíproca de ações de um outro inferiorizando um “pequeno” outro. Um aluno que troca insultos com o professor, como a autora exemplifica, “Na escola particular, dirão coisas do tipo ‘você não pode nos reprovar porque estou pagando seu salário!’, e na escola publica não o respeitarão porque seu fusca 68 estacionado no pátio da escola está todo amassado. ” Estes tipos de agressões verbais dos alunos ínsita então uma “contra-agressão” da parte do professor, que por falta de autoridade se apropria do autoritarismo como reflexo, caracterizando agora a Educação Violenta. Ainda mais grave quando se usa da violência bruta, literalmente, mediante as ações de alunos desprivilegiados depredadores do ambiente escolar, onde descarregam sua insatisfação social na depredação da estrutura e materiais da escola e insultos aos professores. A autora aponta uma saída para esses alunos depredadores, apenas escutá-los, “...o jovem depredador pode ser escutado em sua singularidade. Ali, ele não é apenas um reflexo da injustiça social: ele tem uma resposta própria, no registro da agressividade que não passa de uma tentativa de recuperar pontos de referencias identificatórios...”, e ainda continua a apontar que nesta ótica de violência, estamos diante de um sinal de degeneração dos tempos; porém pode-se observar o antagonismo desta proposição, a busca desesperada de restituição, de reencontro como uma ordem aponta para um sinal de luta contra a degeneração dos tempos, mesmo que praticamente isso desecandei um caos ainda maior.
A violência na escola se relaciona com as condições sociais que geram essa violência. Porém antes de tudo, os autores nos chamam para uma reflexão no que se seria violência e ato violento. Segundo afirmam eles: “ o ato é violento quando uma pessoa é tratada como coisa, quando é violado seu status de pessoa humana, portadora de dignidade e liberdade.” Nisso estão incluídos a prostituição infanto-juvenil, o trabalho de crianças, assassinato de criança e jovens e na área educacional, é a exclusão dos mesmos a educação básica, pois os dados dos censo tem sido desanimadores.
O pior! Isso se torna normal, corriqueiro, banal. As pessoas não se sensibilizam com esta realidade, só os afetam quando passa para a brutalidade. O que percebemos em nosso país é o desigualdade social escancarada, reforçada pela escola, alunos são condenados a não aprenderem por instituição da sociedade, negando-os brutalmente o direito de serem feitos seres humanos, baseado em sua humilde posição social. Os autores finalizam este diálogo com uma perfeita afirmação: “ A principal conclusão a tirar destas reflexões contra a Violência na Educação é que a luta contra ela só pode ter êxito se for parte de um projeto político explicito, radicalmente comprometido com a humanização.”
(Baseado em MARIA CRISTINA KUPPER)

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