Sexta-feira – 02 de setembro de 2011
Fiquei logo impressionado um dia antes quando soube que iríamos visitar uma comunidade onde as mulheres eram obrigadas a se deixarem ser mutiladas pelos homens da comunidade, abdicando de um direito natural das relações sexuais, sentirem prazer sexual.
A ONG YWCA vem trabalhando com a própria comunidade para mudar este quadro, realizando cursos de saúde e conscientização aos homens de Kajiado.
Fomos a uma formatura de um desses cursos numa escola pública da comunidade. As meninas graduandas nos receberam dançando e cantando enquanto uma a uma apertava nossas mãos nos desejando boas vindas.
As meninas dessa escola se apresentaram com danças e músicas típicas da cultura local, encenaram uma peça teatral e cada uma escolheu um de nós e nos levou pela mão até a frente onde formamos uma grande roda, em que repetindo os passos de nossas pequenas professoras, dançamos juntos com os moradores de Kajiado que estavam prestigiando-as.
Cada nacionalidade de participantes foi convidado a falar um pouco sobre seu país e sobre a instituição que representava. Logo após dado a oportunidade de cada um mostrar um pouco de sua cultura. No nosso caso, brasileiros e nordestinos, fizemos uma grande roda e dançamos uma ciranda em homenagem as comunidades pesqueiras do litoral de Pernambuco.
Após o momento multicultural entre os países representados e a própria comunidade de Kajiado, tivemos a digna tarefa de cada dupla plantar uma muda de uma árvore acompanhado por uma das graduandas. Nada mais prático depois de alguns debates sobre justiça climática.
Deixamos a comunidade vendo em cada rosto daquelas meninas um grande sorriso em meio a tanta desigualdade de gênero e luta por mudanças. Aquelas meninas estavam representando uma nova geração de mulheres que não aceitarão ser privadas de seus direitos naturais. Motivo? Terem nascido mulheres.
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