segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A MINHA REFLEXÃO SOBRE A EDUCAÇÃO NO QUÊNIA

          Venho aqui através dessa reflexão, expor tudo o que observei sobre a estrutura escolar queniana, suas desigualdades e realidades. Estive por 21 dias no Quênia onde pude observar muitas realidades nesse país, enquanto me deslocava de um lugar para o outro. E através desses momentos que vi e refleti que vou abordar nesse trabalho.
            Enquanto me deslocava de Limuru para a capital Nairobe, pude observar através da janela do ônibus uma multiplicidade de realidades, principalmente no que se trata de questões educacionais no Quênia. Não pude registrar com fotografias o quanto as famosas High School inglesas influenciaram as quenianas. São prédios luxuosos em lugares nobres da capital com ampla área estrutural. É visivelmente quem são os frequentadores dessas escolas, pois se os alunos não chegam de carro na escola, tem a disposição deles ônibus de luxo para leva-los e busca-los na escola.
            Essas escolas atendem um público de filhos de estrangeiros que trabalham na capital em empresas multinacionais e filhos de quenianos ricos moradores de Nairobe. Pelo que pude observar não há distinção de negros e brancos nessas escolas, eles dividem o mesmo espaço escolar.
            Pude visitar em contrapartida uma comunidade muito pobre na mesma capital, Nairobe. A Comunidade de Pumwani é uma “favela” que em nada se parece com as favelas brasileiras. É um estado crítico e desumano de se viver. Na entrada da comunidade existe uma escola pública primária mantida pela Diocese Anglicana de Nairobe. Os estudantes dessa escola são as crianças da comunidade de Saint John.

            Saint John Community Center é uma escola que atende a comunidade em que está inserida. As crianças participam das decisões da escola no que eles chamam de “Parlamento das Crianças”. É na escola que os moradores encontram informação e apoio sobre HIV/AIDS, conscientização sobre saneamento e higiene.
            O espaço escolar de Saint John trabalha em conjunto com outras Dioceses Anglicanas pelo país, a fim de profissionalizar seus beneficiados através da confecção, desenvolver socialmente os grupos vulneráveis nas áreas urbanas e rurais. Além de desenvolver um bonito trabalho de combate à mortalidade infantil por desnutrição ou qualquer outro agravante social, combater a violação dos direitos da criança, fornecer cursos de profissionalização para os jovens visando sua alto-suficiência.

            Entrei na comunidade e visitei uma escola pré-escolar. Não acreditei que naquelas instalações funcionava uma escola e uma escola para crianças pequenas. Um prédio retangular de zinco, com mesas e cadeiras para as crianças se acomodarem, um quadro negro e vários instrumentos. A escola não oferecia nenhuma condição de funcionamento. Em cima funcionava um laboratório de informática para a comunidade e um trabalho de tapeçaria desenvolvido pelos ex-alunos dessa escola. Ao lado dessa escola tem um campo de futebol, onde os meninos dão seus primeiros chutes rumo à cidadania que o futebol oferece a eles.
Os projetos de profissionalização dos moradores da Comunidade Pumwani são sempre desenvolvidos pela comunidade escolar que trabalha em conjunto com a Igreja local. Informática, artesanato, cursos de conscientização e o futebol (tanto para os meninos, quanto para as meninas) são algumas ações desenvolvidas pela escola nas comunidades onde estão inseridas.
No interior, numa comunidade rural chamada Kajiado, a escola desenvolve um trabalho intensivo com ajuda de algumas ONGs, alguns cursos de saúde preventiva em combate a uma prática cultural de mutilação das mulheres da comunidade, num ato preconceituoso de negar um direito natural do ser humano de sentir prazer no ato sexual. A escola desenvolve cursos de conscientização com as suas alunas com aproximadamente 11 anos, com as mães e pais dessas meninas. Essa escola é mais um exemplo de trabalho paralelo com a comunidade.


Essas foram minhas reflexões observando em várias partes da capital e do interior as escolas e suas diferenças. 

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